Caracas Relembra 24 Anos do Golpe de 2002 em Meio a Novas Tensões Políticas
Entre cicatrizes do passado e o atual cenário de crise, deputados e moradores reafirmam a consciência política despertada pela Revolução Bolivariana.
A capital venezuelana é uma cidade de contrastes. E talvez o maior deles seja unir passado e presente num mesmo tempo histórico. A Caracas moderna, nova, viva, contrasta com os registros de uma história que ainda deixa marcas profundas na sociedade venezuelana.
Em 2002, há 24 anos, o país foi o palco de um dos episódios mais importantes da história recente do país.
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| Crédito: Juan Barreto/AFP |
O golpe de Estado liderado pela cúpula empresarial, setores da Igreja Católica, mídia comercial e militares insubordinados suspendeu por dois dias os direitos políticos e civis da população, declarou nula a Constituição e tentou instaurar uma ditadura no país democrático.
Mas nenhuma força foi capaz de superar a determinação do povo, aliado a militares leais à revolução que, em menos de dois dias, devolveu o presidente Hugo Chávez à Presidência, retomando a democracia participativa e protagônica anunciada pelo líder da revolução bolivariana.
Todos esses fatos seguem vivos na memória de muitos caraquenhos, como Carlos Lucena.
“Essa é uma data muito comovente para nós, todos os venezuelanos, porque foi algo que nos surpreendeu na madrugada”, conta o morador de Caracas. “Imagine a chacina aqui da Ponte Llaguno, os franco-atiradores, a polícia metropolitana se colocou em choque contra a população, a traição que houve também das forças armadas, traição também de seu grupo, seus ministérios, tudo isso. Mas graças a Deus, recuperamos Chávez”, relembra Lucena.
Hugo García, também morador da região central de Caracas, conta que, desse episódio, o povo venezuelano extraiu muitos aprendizados e até uma consigna: “Todo 11 tem o seu 13”.
“O povo conseguiu, com bastante força e em um instante derrubou a ação da traição militar e da oposição fascista. Resgatou-se o presidente daquele 12 de abril, amanhecendo o 13 com o presidente já instalado novamente. Restituída a Constituição, restituídos os poderes, restituído outra vez o presidente no poder. Bom, ele chamou à calma, chamou à reflexão e continuou até o ano de seu falecimento no poder”, relata o caraquenho, testemunha ocular do retorno do presidente ao poder.
O deputado nacional Frang Morales esteve ao lado de Chávez desde levantamento militar de 4 de Fevereiro de 1992 e conta que aquelas 72 horas entre o golpe e o retorno do presidente ao poder resultaram em um ganho de consciência do qual o povo venezuelano não irá esquecer.
“Essa data, para nós, é sempre um motivo para não esquecer que foi a primeira vez que o império mostrou suas garras e tentou jogar por terra a revolução bolivariana, mas o povo unido trouxe novamente seu presidente constitucional ao poder em menos de 72 horas”, disse o parlamentar ao Brasil de Fato.
“Graças ao comandante Chávez”, seguiu o deputado. “Tentaram tirá-lo do poder no ano 2002, o povo venezuelano adquiriu consciência política, sentido de pertencimento e sentido de identidade como povo, como estado, como governo. E além disso, a Revolução Bolivariana se transformou em um grande coletivo, que é o que os inimigos não querem entender”, agregou.
Aos seus 88 anos de idade, a deputada do Partido Socialista Unido da Venezuela, María León acompanhou o presidente Chávez durante aqueles dias de 2002. Para ela, as comemorações da vitória popular de 24 anos atrás ganham um novo sentido, após o ataque inédito dos Estados Unidos ao país, em 3 de janeiro, e o sequestro de seu presidente, Nicolás Maduro, e da primeira dama e deputada nacional da Venezuela, Cilia Flores.
“No dia 12, eles acreditaram que tinham avançado e já no dia 13 os tínhamos derrotado definitivamente com o resgate de nosso presidente Chávez e com a paz e tranquilidade ao povo venezuelano. Bom, eu espero que nesta ocasião seja igual, que este momento histórico se transforme em um 11, 12 e 13 de abril e que vejamos regressar nosso presidente Nicolás Maduro Moros. É o que mais deseja nosso povo, salvá-lo, resgatá-lo junto a sua valente esposa, a deputada Cilia Flores”, expressou a deputada. Um sentimento compartilhado pelo xará do ex-presidente.
“Não há nem uma só acusação que tenha uma prova contundente para que o presidente seja condenado à prisão, mas sim, bom, está lá por vontade do império. O império até impediu o pagamento de seus advogados lá em Nova York. Nós aqui, o povo venezuelano, temos a esperança de que o presidente Nicolás Maduro saia vitorioso dessa situação e chegue outra vez à Venezuela. Esse é o 13 de abril que esperamos e que o presidente Nicolás legitimamente constituído”, afirmou Hugo García.
Fonte: Brasil de Fato